domingo, 7 de julho de 2013

Madalenas: o bom, velho e honesto Escondidinho

Sou resistente a modernismos, principalmente se as modificações surgem pra fingir alguma elegância em detrimento da tradição.
Evidente que sobre a comida eu não seria diferente. O nome de cada prato reflete toda uma cultura, nos permite identificar sua origem, o contexto em que foi elaborado, quem era aquele povo e o que produziam... Alguém imagina feijoada de filé mignon? Acho um sacrilégio...
Admito o preconceito, mas 'carbonara vegetariana' ou 'light' não dá!
Feito o desabafo inicial, isso é tudo pra explicar minha inconformidade ao preparar a receita de Madalenas de Carne Moída. Juro que tentei buscar referências sobre a origem do prato, sem sucesso. Alguém, em sã consciência, olha para esse passo a passo aqui do lado e não lê em alto e bom tom ESCONDIDINHO?
Pois é... mas para a Dona Benta, isso é uma Madalena (assim como a tal carne guisada era picadinho de carne).
Bom, super disposta a receber as críticas e sugestões, aguardo ansiosamente que me expliquem essa denominação.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Quem são essas pessoas que cozinham?

Outro dia aconteceu uma situação nova.
O blog começou como uma forma de uma amiga que mora em SP poder acompanhar as receitas, ver o que funciona e poder fazer as devidas harmonizações - já que a praia (praia, serra, vale...) dela é o vinho. Por causa disso, nunca fiz questão de divulgar muito e continuo me surpreendendo com a quantidade de leituras diárias!
Aí, eis que eu estava em um bar com uma amiga e começamos a falar de comida e ela me fala: "aquele blog não é teu?". Surpresa! Como assim? Minha resposta foi meio que automática ‘ah, eu tenho um blog... mas ninguem lê’ e ela falou ‘eu leio! Sempre fico pensando quem são essas pessoas que cozinham...’
Então... eu sou "essas pessoas que cozinham". E tenho leitores, vejam só! Ou melhor, veja EU, que não fazia ideia de que em tão pouco tempo ia ter uma média de 50 visualizações diárias.
Eu não tenho utensílios caros, uma cozinha super ampla e bem equipada e muito menos um auxiliar que limpe a bagunça. Eu tenho vontade de aprender, muita. E tenho prazer em comer, acho que isso é fundamental.
A gente não come só pela nutrição, apesar dela ser a parte fundamental da refeição. Mas a gente tem que ter prazer no dia a dia das panelas e pratos, encontrar o sabor que combina com o momento: o conforto para um dia pesado, o consolo para um dia de perdas, o calor para uma volta fria pra casa, é isso que levamos para a mesa na hora da janta.
Mas hoje eu não vou levar nada à mesa, ou melhor, hoje eu entro com a fome, a curiosidade e a ansiedade, porque eu é que serei recebida!

domingo, 30 de junho de 2013

Casquinhas de Siri

Mais uma receita de siri, porque descongelei todo o pacote e aí não podia deixar estragar. O livro tem duas receitas de casquinha: uma na página 146, junto com as entradas, e outra na página 608, que foi a que escolhi porque achei mais prática.
Olha aí a pimentinha já dando o ar da graça!
Ingredientes:
  • 300 gramas de carne de siri
  • 1/2 xícara de chá de leite
  • 3/4 de xícara de chá de leite de coco (odeio!)
  • 2 xícaras de chá de pão amanhecido cortado em cubos
  • 2 colheres de sopa de óleo
  • 1 cebola pequena picada
  • 1 pimentão pequeno picado (tava em falta)
  • 1 dente de alho picado
  • 2 tomates picados sem pele e sem sementes (não tirei as sementes)
  • 1 colher de sopa de coentro picado
  • 1 colher de sopa de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa de farinha de rosca
  • sal e pimenta do reino
  • 4 colheres de parmesão ralado
Ufa! É um monte de coisa, né? Aliás, aconselho a ter convidados, porque eu não sei mais o que fazer com tanta casquinha de siri! Dá pra criar a 'dieta da casquinha de siri'!
Bom, vamos ao como-se-faz:
  1. Em uma tigela, cubra os pedaços de pão com o leite de coco para que fiquem bem embebidos. Aqueça o óleo em uma panela e acrescente a cebola, o alho e o pimentão picados;
  2. Refogue por 10 minutos e acrescente a carne de siri e os tomates;
  3. Misture bem e adicione a farinha de trigo. Misture novamente e acrescente o pão e o leite em que ficou de molho. Cozinhe misturando até que o pão desmanche e que a mistura fique espessa. Retire do fogo;
  4. Tempere com sal e pimenta-do-reino e acrescente o coentro. Deixe esfriar completamente. Recheie as casquinhas do próprio siri ou conchas apropriadas. Salpique-as com farinha de rosca e parmesão ralado e leve-as ao forno para que dourem.
Aí tu lembra que não tem casquinhas...
Eu optei por fazer cestinhas com massa de pastel, como tá na foto aí acima e testei de mais de uma forma: sobre a boca de copos, inteira em forminhas de empada e recortando quadrados da massa. Em qualquer hipótese, passei a massa em óleo, porque tem que 'fritar', né? Deixa no forno uns 10 minutos e depois recheia. Dada a minha falta de habilidade, a técnica do copo é a que funciona melhor.
Uma boa dica é umedecer a massa antes, fica mais fácil de modelar sem que ela se quebre. O óleo também pode ser temperado, eu já usei orégano ou chimichurri, mas a opção vai conforme a imaginação!
Elas são ótimas pra fazer um aperitivo, como esse aí ao lado: recheado com carne moída, com uma colherinha de manteiga e lascas de parmesão, muuuuito bem acompanhado de uma Ale Belga!!!
Acho que também deve ser bem legal pra servir uma porção de frutas, como sobremesa.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Conserva de Pimenta Bode

Eu adoro uma feira! Feira e mercado público, simplesmente adoro!!
Não é porque sou neta de feirante ou porque um dos programas favoritos com o meu pai quando morávamos juntos era fazer um chimarrão e ir fazer as compras na Feira do Produtor, no Cassino. Eu adoro as feiras e comércio aberto de alimentos porque acho que são oportunidades incríveis de conhecer a cultura e as preferências de cada lugar. E porque é lindo!  
No final de semana do dia das mães estive por lá e descobri uma pimentinha linda, vermelha, bem redonda. Os produtores disseram que é de uma região chamada 'falsa barra' e logo em seguida, com meus três saquinhos comprados, descobri na internet que se chama Pimenta Bode - não me perguntem o porque de um nome desses! Também não perguntei nenhuma característica, se era forte, adocicada, nada. Achei linda e comprei!
Bom, aí eu precisava dar um jeito de conservar as tais pimentas, já que o consumo aqui é lento... Olhei patês, folheei a Dona Benta, e nada. Fui procurar nos sites que acompanho e encontrei uma conserva ótima no Bistrô da Coralina, o blog muito legal da amiga de uma amigona minha.
O preparo é muito simples, meio que 'não tem como dar errado', mas isso a gente só descobre depois de umas semanas de ansiedade...
Para temperar, usei vinagre de vinho branco, cominho moído na hora, alho bem picadinho, sal, alecrim da minha própria horta e uma folha de louro.
O vidrinho fica lindo, dá até pena de abrir!
Dá pena, mas dá também muita curiosidade... e a espera é recompensada: é uma conserva muito boa.
É bem forte, inclusive o líquido. Mas eu também não sou muito parâmetro, porque não sou a maior fã da pimenta, uso mesmo as moídas e a pimenta biquinho... Molho de pimenta quase me tira o fôlego!
 Minha palavra final é que quem gosta de pimenta deve fazer! O processo é simples, fica bem gostoso e dá pra variar com diferentes tipos de pimentas. Eu que adoro presentes caseiros, já acho uma ideia bem legal fazer em vidrinhos pequenos e distribuir para os amigos pimenteiros!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Pasteizinhos de siri ao vapor - Comer, Beber, Viver

Ontem foi um dia pesado dentro de uma fase meio tensa... nada de especial - o que é o bom e o ruim.
Ontem olhava os ingredientes que tinha na geladeira e sequer consegui fazer um espaguete. Mas aprendi que nesses dias é melhor nem tentar, jantei uma fatia de pão e deixei a cozinha pra quando chegasse a hora dela.
Hoje cheguei em casa tarde e cansada, mas achei que devia limpar a cabeça com uma receitinha dessas que me alimentam a imaginação, fui de Receitas de Cinema e acho que foi a escolha perfeita.
Os ingredientes eu já havia comprado em outras oportunidades: o siri na Feira do Produtor, no Cassino, e a massa para wonton numa ida a uma loja especializada. Estava tudo guardado esperando a hora certa. Não tinha camarão nem as tais castanhas d'água que nem sei o que é, mas não foi fundamental. Posso fazer outro dia pra tirar a prova, mas de qualquer forma gostei do resultado.
Os ingredientes são: 1 colher de chá de amido de milho, suco de um limão, 1 colher de chá de shoyu, 1 pedacinho de gengibre (usei em pó), 1 dente de alho ralado, 1/2 colher de chá de açúcar, sal a gosto, 50 gramas de camarão cozido e picado e 60 gramas de carne de siri branco (essa proporção pode ser alterada 'a gosto do freguês'), 3 castanhas de água picadinhas, 1 cebola bem picadinha e massa para wonton.
Na verdade, é só misturar tudo, na ordem em que estão descritos e deixar descansar por uns 5 minutos.
Abra 12 massas e pincele as bordas com água. Recheie cada um com 1 colher de chá do recheio.
 
A receita original manda cozinhar no vapor, mas fiz como o dono da loja onde comprei a massa me ensinou: doure levemente as trouxinhas no óleo de gergelim em uma frigideira larga e funda e depois vá colocando água aos poucos, pra fazer vapor, mantendo tampado.
Para servir, fiz um molhinho com limão, shoyu e mix de pimentas moídas na hora. Muito bom! Excelente descoberta para petiscos e para temperar saladas. 

domingo, 23 de junho de 2013

Arroz com amêndoas

Às vezes a gente quer dar uma caprichada, sair um pouquinho do óbvio mas também não está com disposição pra executar uma receita muito elaborada... Foi assim que descobri esse arroz, muito simples, mas que tem um efeito ótimo para essas ocasiões, transformando um simples arroz num acompanhamento delicado pra qualquer prato!
Coloque, numa caçarola, 1 litro de água, 1 colher de manteiga, 1 cebola pequena e sal.
Quando ferver, acrescente o arroz (1/2 quilo) e deixe cozinhar até que a água seque. Retire a cebola. Coloque o arroz em uma travessa e misture delicadamente 150 gramas de amêndoas torradas e picada.
E só! Juro, só isso!
Claro, quem quiser incrementar, pode usar a criatividade e usar outros temperos... Que tal usar um bouquet garni ou um pedacinho de gengibre na água do cozimento?

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pão de Forma pra começar o inverno

Então é oficialmente inverno!
Já estamos tomando vinho, comendo fondue e enrolados em mantas há semanas, mas o dia de hoje merece alguma atenção especial. E com esse clima de manifestações, chuvoso e frio, pensei que nada é mais aconchegante que um pão quentinho com a manteiga derretendo! Então segue uma receita que achei muito boa e permite até algumas variações, aceitando bem a inclusão de grãos e farinhas variadas:
1. Misture duas colheres de sopa de fermento biológico com um copo de água morna e 3 colheres de açúcar e deixe a mistura coberta por 10 minutos.
2. Junte 1/2 copo de óleo, 2 ovos, sal e 1/2 quilo de farinha, misturando bem. A mistura deve ficar com uma consistência de massa de bolo.
3. Cubra a massa e deixe-a crescer até dobrar o volume - eu gosto de usar uma forma de suflê, porque aí tem bastante altura pra crescer sem melecar nada.
4. Depois de crescida, acrescente 1 copo de água fria e vá amassando com farinha de trigo até não grudar mais nas mãos.
5. Depois de bem sovada, faça 8 tiras, como se fosse para nhoque.
6. Enrole as tiras, entrelaçando-as (fiz isso de duas a duas) e coloque-as para crescer em formas de pão de forma - até dobrarem de tamanho de novo.
7. Asse em forno quente. Rende 4 pães.
Seguindo aquela minha regra de que o número de ovos determina o divisor da receita, fiz meia e dá super certo! Receita que entrou pra família em substituição a todos os outros pães!